quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

LUCINDA MARIA - VÉRTICE DE LUAR

VÉRTICE DE LUAR

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Hoje, observei o pôr-do-sol. Vi o céu ruborizar-se como uma papoila num campo de cetim esverdeado. Envergonhado talvez, passou a laranja, numa amálgama de tons quentes e febris. A pouco e pouco, o astro-rei foi descendo... até mergulhar por trás dos montes, lá para oeste, onde sabemos que há mar, mesmo que não o vislumbremos sequer. Está longe...
Depois, devagarinho o céu foi escurecendo e esculpindo sombras aqui e ali. As árvores, sempre erectas, sempre vigilantes, parece que cresceram. Os ramos despidos tombaram a cabeça num sono reparador.
A Lua surgiu... redonda, prenhe de orgulho pela prata com que revestiu a luz que o sol lhe emprestou. Feminina como sempre, envaidecida, cheia de beleza, exibiu-se, como uma modelo na passarela do firmamento abobadado de breu.
É a noite a reinar na natureza, a descansar, a dormir... Mas, antes, colhamos umas estrelinhas feitas de sonhos e, com elas, adormeçamos nas nuvens recheadas de esperança, aguardando o novo dia que está, mesmo ali, ao virar daquele vértice de luar.

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