terça-feira, 15 de maio de 2018

VIAGEM NO TEMPO - 1

Deitei-me para uma reparadora noite de sono. Nem imaginava o iria acontecer. De repente senti-me afundar no colchão. Entrei em pânico. Mais ainda quando ouvi um ruído ensurdecedor, uma luz capaz de cegar e eis que aterro no meio de uma rua estranha para mim. À minha frente, com um ar assombrado, está um rapaz adolescente com cerca de catorze anos. Interpela-me. 

- De onde raio é que você veio!? 

Fala inglês, mas apesar dos meus fracos conhecimentos da língua, percebo-o perfeitamente. 

- Só sei que estava na cama e pronto aqui estou. Já agora, estou onde? Que cidade é esta? 

- Você é mesmo estranho! Estamos em Londres. 

Londres!? Como raio é que eu me deitei na minha cama e vim parar a Londres! Ali estava eu no meio da rua em frente a um rapaz de rosto redondo, lábios grossos, cabelo esgadelhado e uma viola debaixo do braço. 

- És músico? 

- Mais ou menos. Gosto de tocar, gosto de compor umas músicas tipo blues. Gosto mesmo é de cantar. 

Olhei em volta. A cidade parecia saída de um filme antigo. Não tinha nada de parecido com a grande metrópole britânica que eu imaginava. Ocorreu-me uma ideia que me pôs em sobressalto: misteriosamente mudei de espaço. Será que também teria mudado de tempo? 

- Rapaz, em que data estamos? 

- 14 de Maio! Você nem isso sabe!? 

Menos mal. O dia e o mês estavam certos. Agora faltava o pior. 

- Em que ano? 

- 1957 

Confirmaram-se as minhas suspeitas. Andei 56 anos para trás para a capital da Inglaterra. Assim já nem estranhei que aquele miúdo quisesse tocar os velhinhos blues. Estava na moda imitar o que vinha da América. 

- Se gostas assim tanto de música, deves aplicar-te. Podes vir a ser uma vedeta. 

O rapaz abanou a cabeça. 

- Não. Isto é só um passatempo. Quero estudar economia. Nunca serei nada na música. 

- Nunca se sabe. Já pensaste em formar uma banda, gravar discos e fazer concertos? 

- Está a dar-me uma grande ideia. Gostava muito. 

- Então vai em frente. 

De súbito comecei a sentir o chão a tremer. Por intuição compreendi que ia voltar à minha cama e ao meu tempo. Estava na hora da despedida. 

- Vou embora rapaz. Já agora, como te chamas? 

- Michael Philip, mas gosto que tratem por Mick. 

- Mick!? 

- Sim. Mick Jagger.

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