segunda-feira, 18 de junho de 2018

Campus Arqueológico do Concelho de Oliveira do Hospital (CACOH)


Escola arqueológica ao ar livre que combina pedagogia, a
Cientificidade e a transversalidade de uma faixa etária (jovens até idosos) na emblemática cidade romana de Bobadela (freguesia de Bobadela, concelho de Oliveira do Hospital

Proponentes do projeto
Jorge Tiago Almeida CarvalhoRui Miguel Marques da Silva

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sábado, 16 de junho de 2018

A ARTE DE VLADIMIR KUSH

Vladimir Kush (Moscovo, 1965) é um pintor que se identifica com o "realismo de metamorfose" ou "fine art", com desenhos e pinturas que formam imagens "impossíveis", que utilizando de truques de imagens e/ou elementos que se formam em outros. 

Vladimir Kush nasceu e cresceu em Moscovo – Rússia. Seu pai Oleg, um matemático com tendências artísticas, incentivou o talento natural do seu filho numa idade adiantada. Ele também fez o seu melhor para fornecer a Vladimir, livros de viagens românticas de autores como Jules Verne, Jack London e Herman Melville, na esperança de que a sua mente iria vagar fora do mundo cinzento que vivia. 
Aos sete anos, Vladimir começou o treino formal que o levou para o Instituto de Arte de Moscou, onde promoveu o seu domínio da cor, composição, óleos e técnicas de arte de todos os tipos.











EU E MERUGE...



Quando era puto tinha por hábito subir à torre da igreja. Era um refúgio interessante. Dali, via a vida da aldeia e não era visto. O povo, na sua lide diária, não andava de nariz no ar a olhar para a torre. Podia também apreciar a paisagem. Os telhados da aldeia, os pinhais, o Monte Colcurinho, a Serra da Estrela… Olhando mais em volta, Fazia parte da paisagem um aglomerado de casas que eu sabia que se chamava Meruge. Na minha meninice sentia-me fascinado por aquela aldeia derramada nas margens de um pequeno rio. Os olhos da minha imaginação viam claramente uma terra de gente boa e trabalhadora. Fiz a quarta classe com a pompa e circunstância com que se faziam as quartas classes nesse tempo. As famílias assistiam às provas orais e no fim havia banquete partilhado mesmo com sabor a raposa para alguns. No meu ano houve várias raposas e os outros seguiram para o mercado do trabalho. Assim fui o único lagoense a ir estudar para a Escola Preparatória Brás Garcia de Mascarenhas em Oliveira do Hospital. Sentia-me sozinho e meio perdido, mas foi por pouco tempo. O autocarro escolar, da empresa Camilo & Filhos, L.da – Travancinha, vinha cheio de miúdos e miúdas da minha idade e também eles a viver uma nova experiencia na vida. Afinal a aldeia airosa que eu via do cimo da torre tinha gente da minha idade. Depressa se estabeleceu o contacto e depressa nasceram amizades que duram até hoje. Foram anos de grande camaradagem que deixaram as melhores recordações. Misturei-me de tal forma com a juventude merugense que havia caras de espanto quando eu dizia que era de Lagos da Beira. Ainda hoje sou apontado como merugense e nem costumo desmentir. Afinal, há um fundo de verdade na confusão. O serviço militar afastou-nos a todos, mas a amizade manteve-se. Depois surgiu em Meruge a “Dancetaria da Ponte” rebaptizada mais tarde com o nome “La Luna”. Uma discoteca que por si só já era um motivo para ir a Meruge. O motivo fica mais forte quando a minha melhor amiga de Lagos casa com o meu amigo dono da discoteca. Assim começo a frequentar Meruge com bastante frequência. As velhas amizades reacendem-se. A sede da Associação do Amigos de Meruge(AAM) passa também a ser de visita obrigatória. Depois nasce a Associação de Jovens e eu sou apanhado nessa nova onda logo na primeira hora. Passei por vários cargos diretivos durante os últimos 22 anos. Duas décadas de verdadeiras e indescritíveis aventuras. Novas amizades nasceram e deixei de ser um forasteiro em Meruge. Sucederam-se gerações e em cada nova geração fui criando raízes de profunda amizade alicerçada na confiança e respeito. Fiz também parte dos órgãos sociais da AAM durante três anos. Dei tudo o que podia e sabia ao associativismo merugense. Dei tanto ou mais do que o que dei à minha terra com uma única e grande diferença. Em Meruge sempre senti a gratidão e o apoio das pessoas. Continuo a visitar Meruge e continuo a sentir-me em casa. Ser merugense não significa nascer em Meruge, até porque há naturais de Meruge que deixam muito a desejar. Ser merugense é sentir o espírito singular de um povo e isso não se explica por palavras. Sente-se com a alma e o coração. 

Se hoje me desse para subir à torre da igreja matriz de Lagos da Beira, podia avistar lá ao longe uma aldeia derramada nas margens de um pequeno rio. Agora não era preciso imaginar nada. Agora podia dizer com algum orgulho: Ali também é a minha Terra.