quinta-feira, 23 de maio de 2019

TEXTO HUMORÍSTICO #001 - BOBADELA - TODA A VERDADE

Bobadela é uma Freguesia do Concelho de Oliveira do Hospital e pronto. Estava tudo dito se não houvesse mais nada a dizer. Acontece que é uma aldeia muito especial, graças aos romanos que, nos fins do Século I – A.C, aqui assentaram arraiais. A região já era habitada por camponeses que ficaram de boca aberta quando viram chegar uns fulanos de saias, escudos, lanças, espadas e capacetes foleiros. Resta saber se os romanos conquistaram, pilharam e escravizaram ou se, simplesmente, se juntaram aos campónios e ficaram todos grandes amigos. Certo é que governava Augusto lá na longinqua Roma quando os seus rapazes aqui fundaram a cidade de Velladis, ou Elbocóris, ou nem uma coisa nem outra. De facto não sabemos o nome da cidade, mas sabemos que, uma vez fundada, alguém exclamou: Mas que esplêndida cidade! Quem assim exclamou, exclamou em latim porque era a língua que sabia falar e devia ser alguém importante, porque outro alguém se apressou a gravar na pedra essa mesma frase, também em latim porque era a língua que sabia escrever. “Splendidissima Civitas” é então a frase que define a cidade. Os romanos, talvez por saudosismo, por boa organização ou por terem a mania, organizavam as cidades à semelhança de Roma. Assim também aqui construiram um fórum que era o centro comercial, religioso e político-administrativo da cidade. No centro do fórum havia um templo dedicado ao Imperador ou a Jupiter ou a Neptuno ou, ainda, a nenhum deles. Uma pedra cravada na parede da Igreja Matriz tem a inscrição: “Neptunale”, o que sugere que havia um templo dedicado a este Deus, mas tanto podia ser o templo do Fórum, como outro qualquer. Ao lado do Fórum, construiram os romanos o anfiteatro. Era espaço de jogos, teatro, música, circo e, claro está, de lutas de gladiadores. Eles eram loucos por essas lutas sangrentas, tão loucos como hoje somos pelo futebol. Durante quatrocentos anos, a cidade foi capital de um vasto Município entalado entre as serras da Estrela, Açor e Caramúlo. Daqui partiam estradas para lugares tão esquisitos como Conimbriga, Igaedis, Aeminium, Talabriga e Vissaium. Claro que esses lugares só tinham nomes esquisitos nessa época porque hoje são Condeixa-a-velha, Idanha-a-Velha, Coimbra, Cabeço do Vouga e Viseu respetivamente. Como nada é eterno e como todos os impérios acabam por cair, também o Império Romano se foi abaixo. Chegou-se a um ponto em que andava tudo à repa-gadelha e depois eram os povos bárbaros a atacar por todo lado e coisa começou a dar para o torto e pronto. Lá se foi o império e os imperadores e os fulanos de saias e capacetes foleiros. O que vale é que esta Península Ibérica sempre teve tendência para ser um corrilório de povos vindos de todo o lado. Vieram os alanos, suevos, visigodos, vândalos e mouros. Foi então que os cristãos arrancaram lá da Galiza e vieram por aí a baixo a desancar os mouros e fundaram Portugal. Os séculos passaram e a vida continuou chata como um piolho. Da glória do Império restam um arco, um anfiteatro, diversos objetos, muita história. Isto é enquanto a malta não pega nas pás e enxadas e começa aí a virar tudo do avesso. Pode bem acontecer que lá no avesso esteja um teatro, umas termas, um templo, uma coleção de vasos, moedas ou mesmo uma lata de atum. Por enquanto sugiro que visitem o nosso centro interpretativo. Não dói nada e é grátis.


quarta-feira, 22 de maio de 2019

FOTOS ANTIGAS #008

Quer queiramos, quer não, isto é uma equipa de futebol. São onze homens e um responsável de fato e cachimbo. Equipamentos iguais não há para todos e calções só há para sete. Já não é mau. Depois temos um suposto jogador de cigarro e concertina. E depois? Se o Sporting tinha cinco violinos, o “Lagos da Beira” também podia ter uma concertina. O importante é que tinham uma bola, talvez feita por algum sapateiro e a táctica de jogo assentava numa regra fundamental: Quem chutar mais alto, ganha o bacalhau… se houver. A foto será do início dos anos 30 (?)


TELEVISÃO #003

Série televisiva policial norte-americana criada por Stephen Bochco, Hill Street Blues marcou o panorama da televisão em todo o mundo nos anos 80, pela sua componente realista e dramática. Com a criação desta série, o seu autor tornou-se um dos produtores mais requisitados da televisão norte-americana. Estreou no canal NBC a 15 de janeiro de 1981 e conseguiu na sua primeira temporada nos Estados Unidos a nomeação para 21 Emmys, tornando-se uma das séries mais populares de sempre. Durou sete temporadas e o último episódio foi emitido a 12 de maio de 1987. Ao todo, esta série aclamada pela crítica recebeu 98 nomeações para os Emmys e 26 Globos de Ouro. O tema musical principal da série, da autoria de Mike Post, tornou-se um hit internacional. 


Em Portugal, a série estreou no dia 16 de outubro de 1981 e, aos poucos, conquistou e viciou o público. Irreverente, A Balada de Hill Street passa-se numa esquadra policial numa cidade norte-americana, girando à volta dos acontecimentos dramáticos na vida dos polícias dessa esquadra. Mostra de uma forma realista o dia a dia dos agentes e o ambiente caótico em que se movem. Cada episódio centra-se num tema que corresponde a uma narrativa com um começo e um fim, contudo, alguns assuntos são desenvolvidos de um episódio para o outro, de forma a manter um fio condutor. As figuras centrais são o capitão Frank Furillo (Daniel J. Travanti), chefe da esquadra com um passado de alcoólatra por resolver, que tem que lidar com a burocracia policial e que acaba por casar com Joyce Davenport (Veronica Hamel), promotora pública; Fay Furillo (Barbara Bossom), a ex-mulher do capitão, que está sempre a irromper pelo seu gabinete; o sargento Phil Esterhaus (Michael Conrad), uma figura que providencia alguma calma ao caos existente; Mick Belker (Bruce Weitz), o agente à paisana que discute com a mãe pelo telefone e rosna aos suspeitos; J. D. LaRue (Kiel Martin), o detetive mulherengo; Renko (Charles Haid), o polícia com botas de cowboy, entre outros.

https://www.infopedia.pt/$a-balada-de-hill-street