quinta-feira, 26 de julho de 2018

CONTOS - A VIÚVA DO PESCADOR


Saber esperar é uma grande virtude. A esperança é uma das pedras Basilares da vida. Esta é uma história triste, mas ainda assim, é preciso não perder a esperança. 


Era uma bela mulher, mas não era tanto a sua beleza que despertava a atenção de Jaime. Era sim a aura de mistério que a rodeava. Os seus longos cabelos negros esvoaçavam ao vento acompanhando os movimentos de um simples vestido comprido da mesma cor. Negro não é cor de Verão, por isso distinguia-se por entre a multidão que caminhava junto à praia. – Uma andorinha no meio de pombas brancas. – Pensava Jaime. Ali estava ela todos os dias sentada num rochedo olhando o mar. Apenas olhando o mar. Nada mais à sua volta interessava. Seria assim tão obcecada pela natural beleza do imenso oceano? Camões chamava às águas do Tejo as suas musas de inspiração, as suas “tágides”. Será que o mar inspirava aquela mulher para alguma criação artística? Tudo isto eram conjecturas que anuviavam o cérebro de Jaime. Costumava sentar-se à sombra de uma frondosa árvore naquela hora pachorrenta de maior calor. Lá estava ela no rochedo em frente. Algumas vezes tentou chamar-lhe à atenção sem qualquer resultado. Um dia resolveu pedir informações a um velho homem do mar que também aproveitava a sombra da árvore. 

- Aquela rapariga é de cá? 

O homem de rosto crispado pelo ar marítimo puxou uma fumaça do cigarro e olhou Jaime com curiosidade. 

- Qual rapariga? 

- Aquela ali sentada. A do vestido preto. 

- A Joanita? É de cá sim. 

Uma onda de tristeza inundou o rosto do velho pescador. Abanou a cabeça murmurando. 

- Pobre menina... coitadinha da nossa menina. 

- Porque fala assim!? 

- É uma história triste. A história da nossa menina. 

- Está a deixar-me curioso. 

- Olhe para ela. Que é que acha dela? 

- Para começar é muito linda, mas um pouco triste e solitária. Não tem amigos, nem amigas!? Um namorado!? 

- Teve isso tudo. Fui colega do pai dela na pesca. Era um valente marinheiro. Muitas vezes estivemos perto da morte, mas nunca vi medo naquele homem. Conheço a Joanita desde o berço. Cresceu e transformou-se na mais bela rapariga que esta terra já viu. Herdou a fibra do pai. Chegou a ir com nós para o mar. Foi assim que namorou e casou com o Rodrigo: um valente rapaz. Só se sentia bem no mar. Há coisa de três anos, o Rodrigo embarcou no arrastão “São Tiago”. Uma tempestade medonha afundou-o. Os corpos dele e dos restantes tripulantes nunca foram encontrados. 

Lágrimas de dor sulcavam o rosto do homem. 

- Se não quer recordar coisas tristes deixe lá senhor. 

- Eram todos meus amigos. Compreende? Agora quero contar o resto. A Joanita não aceitou a perda do marido. Não aceitou nessa altura nem nunca. Que é que acha que ela está ali a fazer todos os dias? 

Jaime olhou para ela. Passou as mãos pelo rosto e com olhar incrédulo perguntou. 

- Não me diga que é o que eu estou a pensar! 

- É sim meu jovem. A Joanita passa os dias ali sentada à espera que o “São Tiago” suja no horizonte com o seu Rodrigo. 

- É incrível! Não há ninguém que a faça desistir dessa espera inútil!? 

- Já muitos tentaram falar com ela, mas não vale a pena. No fundo até é melhor assim. 

- Melhor assim como!? 

- É a esperança que mantém a nossa menina viva. Mesmo sendo uma esperança falsa é sempre uma esperança. 

- Acho que é mais um estado de loucura. 

- Alguém consegue dizer o que é a loucura? Acredite nisto: diz o povo que “enquanto há vida há esperança”. É uma grande verdade, mas também só há vida enquanto houver esperança. Ou, se quiser chame-lhe fé. 

Meses mais tarde Joana desapareceu sem deixar rasto. As autoridades procuraram por todo o lado acabando por desistir. Falou-se em suicídio, rapto ou qualquer horrível acidente. Entre os pescadores conta-se que uma noite alguém viu um arrastão aproximar-se da praia envolto em nevoeiro. Um vulto escuro correu pelo areal, mergulhou no mar e nadou vigorosamente até à embarcação. Pouco depois uma inesperada rajada de vento dissipou a neblina e ficou apenas o mar. o imenso mar salpicado de pontos prateados feitos de raios de lua.

Fim
    

quarta-feira, 27 de junho de 2018

A ARTE DE GIIH

Podem encontrar mais arte desta magnifica artista brasileira em:

https://giihart.tumblr.com
https://www.artstation.com/giih
https://www.facebook.com/GiihArte










segunda-feira, 18 de junho de 2018

Campus Arqueológico do Concelho de Oliveira do Hospital (CACOH)


Escola arqueológica ao ar livre que combina pedagogia, a
Cientificidade e a transversalidade de uma faixa etária (jovens até idosos) na emblemática cidade romana de Bobadela (freguesia de Bobadela, concelho de Oliveira do Hospital

Proponentes do projeto
Jorge Tiago Almeida CarvalhoRui Miguel Marques da Silva

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