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domingo, 8 de março de 2026

CICLOS #2 - PELOURINHOS DO CONCELHO DE OLIVEIRA DO HOSPITAL - CONCLUSÃO

Para além dos sete Pelourinhos, mais cinco povoações do atual concelho de Oliveira do Hospital foram vilas sede de concelho, num total de doze. São elas Ervedal da Beira, Vila Pouca da Beira, Lagos da Beira, Lagares da Beira e São Sebastião da Feira.

O Ervedal da Beira, terá o seu pelourinho em Oliveira do Hospital, tal como muita gente afirma. Faz sentido que Oliveira nunca tenha tido Pelourinho, visto que pertencia à Ordem de Malta. Os símbolos da ordem sobrepunham-se aos símbolos régios. Do Pelourinho de Vila Pouca da Beira só resta a base e o fuste octogonal. (fig.1) O Pelourinho de Lagos da Beira está, segundo a tradição oral, numa casa particular. De Lagares e São Sebastião não se conhecem Pelourinhos. A distinção das outras povoações está na Coroa Mural dos seus brasões com quatro torres prata a indicar a categoria de vila sede de concelho. Cinco torres no caso de Oliveira do Hospital por ser cidade. As outras aldeias sedes de freguesia têm três torres. (Fig. 2)

FIGURA 1

FIGURA 2


sexta-feira, 6 de março de 2026

CICLOS #2 - PELOURINHOS DO CONCELHO DE OLIVEIRA DO HOSPITAL - 07 - SEIXO DA BEIRA

O único foral atribuído a Seixo da Beira é, ao que se sabe, o documento manuelino de 1514, que terá elevado a localidade a sede de conselho. Porém, há quem acredite ter existido um foral anterior. Certo é que a povoação se denominava então de Seixo do Ervedal, topónimo que se manteve até 1928. O concelho foi extinto em 1836, e integrado no vizinho concelho de Ervedal, tendo em 1855 passado para o de Oliveira do Hospital, do qual é hoje freguesia. Conserva um pelourinho, talvez ainda de construção quinhentista, ou mesmo seiscentista, seguramente muito posterior ao foral de D. Manuel.

Pelourinho quinhentista, de bloco prismático, com soco quadrangular de três degraus e fuste octogonal, rematado por paralelepípedo ostentando elementos heráldicos, delidos, onde se distingue o escudo português, sendo o remate encimado por pequeno florão.


segunda-feira, 2 de março de 2026

CICLOS #2 - PELOURINHOS DO CONCELHO DE OLIVEIRA DO HOSPITAL - 06 - PENALVA D'ALVA

Penalva de Alva, antigamente Penalva de São Gião, foi villa e concelho muito antigo, com categoria municipal certamente anterior ao único foral conhecido, dado por D. Manuel em 1516. É actualmente freguesia de Oliveira do Hospital, mas conserva um importante testemunho da sua anterior autonomia, na forma do pelourinho. Este levanta-se diante dos antigos Paços do Concelho, e data seguramente dos anos subsequentes à atribuição do foral manuelino, de acordo com a sua tipologia.

Pelourinho quinhentista, de pinha torsa, com soco quadrangular de quatro degraus, fuste octogonal e capitel simples. O remate está encimado por grimpa com símbolo heráldico, a Cruz de Malta.



sábado, 28 de fevereiro de 2026

CICLOS #2 - PELOURINHOS DO CONCELHO DE OLIVEIRA DO HOSPITAL - 05 - OLIVEIRA DO HOSPITAL

Oliveira do Hospital é localidade de muito remota origem, inicialmente referida aquando da doação do seu território, feita antes da fundação da Nacionalidade e pela regente D. Teresa, aos Cavaleiros da Ordem de São João do Hospital, ou Hospitalários, em 1122. Terá existido uma primeira carta de foral, certamente dada pelos seus donatários, e referida no foral manuelino, este datado de 1514. Oliveira do Hospital terá tido o seu próprio pelourinho. Este que se ergue atualmente em frente a Câmara Municipal, terá sido o Pelourinho do Ervedal da Beira. Pelo menos é isso que muita gente afirma.

Pelourinho quinhentista sem remate, mas que pertenceria aos monumentos de tipo pinha, agora empobrecido pela perda do pináculo, pois a terminação em pinha torsa é característica da gramática manuelina.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

CICLOS #2 - PELOURINHOS DO CONCELHO DE OLIVEIRA DO HOSPITAL - 04 - NOGUEIRA DO CRAVO

Nogueira do Cravo é uma localidade de origem muito remota, referenciada documentalmente a partir de 1258, nas Inquirições de D. Afonso III. Foi reguengo régio, doado por D. Sancho I a Mendo Pelágio, aio do futuro D. Afonso II, e então coutada, denominando-se justamente Couto de Nogueira. Pertenceu de seguida aos Bispos de Coimbra, tendo primeiro foral doado pelo Bispado, em 1177. Este foral foi renovado apenas por D. Manuel, em 1514, datando o pelourinho da localidade desta doação. O concelho foi extinto em 1836, passando a ser freguesia de Oliveira do Hospital.

Pelourinho seiscentista sem remate, pelo que não pode ser alvo de classificação tipológica, com soco quadrangular de dois degraus e fuste octogonal, estacando-se a existência de duplo anel na parte superior do fuste e a decoração fitomórfica do capitel.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

CICLOS #2 - PELOURINHOS DO CONCELHO DE OLIVEIRA DO HOSPITAL - 03 - LOUROSA

Lourosa foi doada à Sé de Coimbra pela Rainha D. Teresa, em 1119, e coutada por D. Afonso Henriques em 1132. Teve primeiro foral dado em 1347, pelo Bispo de Coimbra, seu donatário. Recebeu foral novo de D. Manuel, em 1514, na sequência do qual se terá erguido o pelourinho, que ainda hoje se conserva na localidade. O concelho foi extinto no século XIX, e integrado em Oliveira do Hospital, do qual é actual freguesia.

Pelourinho seiscentista, de pinha cónica, com soco octogonal de dois degraus, de onde evolui base dupla e fuste octogonal, com capitel octogonal e remate em pináculo cónico.



domingo, 22 de fevereiro de 2026

CICLOS #2 - PELOURINHOS DO CONCELHO DE OLIVEIRA DO HOSPITAL - 02 - BOBADELA

O concelho da Bobadela recebe Foral Novo dado por D. Manuel em 1513, até à sua extinção e integração em Oliveira do Hospital, no ano de 1836. Como testemunho da antiga autonomia, a vila conserva ainda o seu pelourinho, construído na sequência do foral manuelino.

Pelourinho quinhentista, de pinha cónica torsa, com soco quadrangular de quatro degraus, de onde evolui a coluna, com base cúbica e fuste torso, que se interrompe no capitel e elemento circular onde se apoia o remate em pináculo torso. Apesar da simplicidade do Pelourinho, ostenta alguns elementos decorativos manuelinos, nomeadamente na zona do capitel e na peça de onde arranca o remate, com farta decoração fitomórfica.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

CICLOS #2 - PELOURINHOS DO CONCELHO DE OLIVEIRA DO HOSPITAL - 01 - AVÔ

D. Manuel concedeu foral novo à vila de Avô em 1514, tendo esta mantido o seu já antigo estatuto até 1855, quando o concelho foi extinto e a vila foi integrada no concelho de Oliveira do Hospital. Da perdida autonomia conserva-se um testemunho, o pelourinho, ainda hoje levantado na praça onde funcionava a antiga Casa da Câmara, medieval, bem como o Tribunal e a cadeia, e onde hoje se encontra instalada a Junta de Freguesia.

Pelourinho quinhentista, de pinha cónica, com base de três degraus quadrangulares, de onde evolui a coluna com base cúbica e elemento côncavo e fuste torso, com capitel em cesto e remate em pináculo cónico com florão no remate. A coluna está cingida por anel a cortar o terço superior, com remate em pináculo ornado por cogulhos.


CICLOS - PELOURINHOS DO CONCELHO DE OLIVEIRA DO HOSPITAL

O atual concelho de Oliveira do Hospital resulta da extinção de vários concelhos e da sua agregação como freguesias. Essas antigas vilas tiveram as suas Cartas de Foral e quase todas mantêm os seus Pelourinhos. Trata-se de monumentos em pedra erigidos no centro de vilas e cidades portuguesas, simbolizando a autonomia municipal, a dignidade local e o poder judicial desde a Idade Média até ao século XIX. Funcionavam como locais para a exposição de criminosos, castigos públicos e, principalmente a partir do foral manuelino, como símbolo de ordem e justiça régia.

Neste ciclo vamos conhecer os sete Pelourinhos do concelho de Oliveira do Hospital e falar de mais dois desaparecidos ou quase.



sábado, 14 de fevereiro de 2026

20 ANOS A ROLAR

Liguei-me à Internet em 1998, o ano em que surgiu o Google. Ainda não havia redes sociais, nem sequer o YouTube. Tudo era muito lento e caro, mas era um mundo novo. O meu primeiro desejo era ter um espaço meu nesse universo, um lugar onde pudesse mostrar os meus desenhos e partilhar alguns textos que já ia escrevendo.

Como era complicado e dispendioso, tudo não passava de um sonho.

Em 2003 surgiu o Hi5, uma rede social que rapidamente se popularizou. Foi aí que comecei a publicar as minhas coisas. Pouco depois, comecei a ouvir falar de blogs e, em 2006, descobri o serviço Blogs do SAPO. Foi aí que nasceu o blogue Pedras Rollantes, no dia 14 de fevereiro de 2006.

Mais tarde, descobri a plataforma Blogger e transferi para lá o Pedras Rolantes (agora com apenas um “r”), onde se mantém há vinte anos.

As redes sociais acabaram por substituir os blogues, mas o meu cantinho continua aqui, firme, a divulgar cultura. Se tenho prazer em aprender, também sinto a missão de partilhar o que sei.

Porque pedras que rolam não criam musgo, parabéns, Pedras Rolantes!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

CICLO #1 - PINTORES PORTUGUESES - ENCERRAMENTO

Este blogue voltou à atividade neste inicio 2026, ano em que completa 20 anos, com o primeiro de muitos ciclos temáticos. Este foi dedicado a alguns dos grandes pintores portugueses. Escolhi oito nomes: Amadeo de Souza-Cardoso, Júlio Pomar, Vieira da Silva, Paula Rego, Cruzeiro Seixas, José Malhoa, Maluda e Nadir Afonso. Muitos e bons ficaram de fora, mas poderei sempre voltar ao tema. Importa divulgar a pintura dos grandes mestres e recordar que um quadro é uma companhia. Uma casa sem quadros nas paredes potencia em muito a solidão.



CICLO #1 - PINTORES PORTUGUESES - 08 - NADIR AFONSO

Nadir Afonso Rodrigues nasceu em Chaves a 4 de Dezembro de 1920 e faleceu em Cascais em 11 de Dezembro de 2013.

Diplomou-se em Arquitetura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Em 1946, estuda pintura na École des Beaux-Arts de Paris, e obtém por intermédio de Portinari uma bolsa de estudo do governo francês. Até 1948 e novamente em 1951 foi colaborador do arquitecto Le Corbusier; nomeadamente no projecto da cidade radiosa de Marselha, e serviu-se algum tempo do atelier de Fernand Léger. De 1952 a 1954, trabalha no Brasil com o arquitecto Oscar Niemeyer. Nesse ano, regressa a Paris, retoma contacto com os artistas orientados na procura da arte cinética, desenvolvendo os estudos sobre pintura que denomina «Espacillimité».

Na vanguarda da arte mundial expõe em 1958 no Salon des Réalités Nouvelles «espacillimités» animado de movimento. Em 1965, Nadir Afonso abandona definitivamente a arquitetura; consciente da sua inadaptação social, refugia-se pouco a pouco num grande isolamento e acentua o rumo da sua vida exclusivamente dedicada à criação da sua obra.

A CIDADE DOS PRINCÍPES

BANHISTAS

ÉLECTRA ET ORESTE

ESFINGE

GARE DE AUSTERLITZ

Fontes: Fundação Nadir Afonso - https://www.nadirafonso.com

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

CICLO #1 - PINTORES PORTUGUESES - 07 - MALUDA

Maria de Lourdes Ribeiro nasceu em Goa a 15 de novembro de 1934 e faleceu em Lisboa a 10 de fevereiro de 1999.


Começou na pintura como retratista autodidata em Lourenço Marques (actual Maputo), onde viveu a partir de 1948. Foi lá que formou, com Garizo do Carmo, João Paulo e João Aires o grupo de pintura "Os Independentes". Em 1963 obteve uma bolsa de estudos da Fundação Calouste Gulbenkian e viajou para Portugal, onde trabalhou com o mestre Roberto de Araújo em Lisboa.

Entre 1964 e 1967 viveu em Paris, onde trabalhou na Academia de la Grande Chaumière com os mestres Jean Aujame e Michel Rodde e conviveu com Maria Helena Vieira da Silva. Foi nessa altura que se interessou pelo retrato e por composições que fazem a síntese da paisagem urbana, com uma paleta de cores muito característica e uma utilização brilhante da luz, que conferem às suas obras uma identidade muito própria e inconfundível.

Em 1969 realizou a sua primeira exposição individual na galeria do Diário de Notícias, em Lisboa. [Em 1973 realizou uma grande exposição individual na Fundação Gulbenkian, que obteve grande sucesso. Entre os anos de 1976 e 1978 foi novamente bolseira da Fundação Gulbenkian, estudando em Londres e na Suíça. A partir de 1978 dedicou-se também à temática das janelas, procurando utilizá-las como metáfora da composição público-privado. Em 1979 recebeu o "Prémio de Pintura" da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa.

A partir de 1985, Maluda foi convidada para fazer várias séries de selos para os CTT. Dois selos da sua autoria ganharam, na World Government Stamp Printers Conference, em Washington, D.C., em 1987 e em Périgueux (França), em 1989, o "Prémio mundial" para o melhor selo.

Em 1994 recebeu o prestigiado "Prémio Bordalo Pinheiro", atribuído pela Casa da Imprensa. No âmbito da "Lisboa Capital da Cultura", realizou uma exposição individual no Centro Cultural de Belém em Lisboa.

A 13 de outubro de 1998 foi agraciada pelo Presidente da República Jorge Sampaio com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, ao mesmo tempo que realizou a sua última exposição individual, "Os selos de Maluda", patrocinada pelos CTT.

Em testamento, a artista instituiu o "Prémio Maluda de Pintura" que, durante alguns anos, foi atribuído pela Sociedade Nacional de Belas-Artes.